Uma jornada marcada pela resiliência e pelo atendimento especializado de saúde do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, Belém, resultou em um recomeço para Everton Gabriel Diniz, de onze anos. Vindo da zona rural de Limoeiro do Ajuru, no Baixo Tocantins, o paciente foi transferido após passar por diagnóstico no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (HOIOL). Ele chegou ao HRAS com uma massa tumoral de 14 centímetros de diâmetro no hemitórax, região referente à metade da caixa torácica. A condição estava presente desde o seu nascimento.
Atendimento multiprofissional
A transferência para o HRAS ocorreu após a realização de uma biópsia no HOIOL, que confirmou o diagnóstico de malformação venolinfática. Esta condição é um tipo de tumor benigno formado por vasos sanguíneos e linfáticos alterados. Por ser referência em Cirurgia Vascular, o HRAS recebeu o caso e estruturou o plano de tratamento.
O médico Moisés do Carmo esclareceu que, embora a lesão não fosse maligna, o quadro exigia cirurgia devido aos riscos associados e ao impacto na qualidade de vida do jovem.
"Um tumor desse, apesar de não ser maligno, tem chance de sangramento, assim como a formação de ferimentos que podem infectar e gerar complicações como a sepse, que é uma resposta inflamatória grave do organismo a uma infecção, ou até mesmo evoluir para uma malignização. Além dessas complicações, a patologia já vinha trazendo alterações psicológicas ao paciente devido ao seu tamanho e à sua aparência", explicou o médico Moisés do Carmo.
Diante do quadro, a conduta foi definida em conjunto pelos especialistas da unidade. O caso foi discutido por integrantes da equipe de Cirurgia Vascular e pelo cirurgião plástico Pablo Pimenta. Pela ausência de componente arterial e pela dimensão do tumor, optou-se pela retirada total da malformação com margens de segurança para evitar o retorno da lesão, seguida pela enxertia realizada pela equipe de Cirurgia Plástica.
Para responder às exigências do quadro clínico, o tratamento envolveu a atuação integrada de diversos setores da instituição. O acompanhamento contínuo teve o suporte direto das equipes de Cirurgia Vascular, Cirurgia Plástica Reparadora e da Comissão de Curativos (CCP), setor responsável pelo manejo de feridas complexas. A recuperação foi assegurada pelo trabalho conjunto de uma equipe multiprofissional com profissionais de Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, Higienização e Apoio.
Reconhecimento e acolhimento
A abordagem combinou a conduta técnica com o acolhimento humanizado prestado à família. Na avaliação enviada à instituição, Geliane Diniz, mãe do paciente, expressou gratidão pelo impacto da assistência recebida durante a internação.
"Eu só tenho que agradecer a Deus por tudo que Ele fez na vida do meu filho. Quero agradecer à equipe médica e aos enfermeiros por tudo. Fomos muito bem tratados na UTI e no quinto andar. O médico que operou o Everton Gabriel realizou uma cirurgia e um enxerto de pele que foram um sucesso. Muito obrigado a todos vocês da CCP", declarou a mãe do paciente.
O enfermeiro líder da Comissão de Curativos, Cleyton Metello, ressaltou que o resultado reflete o esforço coletivo do hospital. "A cada etapa vencida pelo Everton, reforçamos o compromisso do hospital com uma assistência que une rigor técnico e humanização. Lidar com uma ferida operatória e uma condição complexa presente desde o nascimento exige não apenas recursos e interdisciplinaridade, mas também sensibilidade de toda a equipe envolvida", destacou o enfermeiro Cleyton Metello.
Capacidade e resultados
O caso de Everton Gabriel reflete a capacidade operacional do HRAS na realização de procedimentos de média e alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No acumulado do ano de 2026, a instituição já realizou 8.858 cirurgias, mantendo uma produção contínua para atender usuários de todas as regiões do Pará.
Como polo de referência em Cirurgia Vascular, a unidade soma 939 procedimentos realizados nessa especialidade ao longo do ano. O suporte da Cirurgia Plástica Reparadora também integra a rotina assistencial do hospital em casos de reconstrução, somando 13 cirurgias efetuadas no mesmo período. A estrutura do centro cirúrgico do HRAS garante vazão tanto aos casos programados quanto às demandas emergenciais, registrando 4.497 cirurgias de urgência e emergência e 4.361 procedimentos eletivos no período.
Referência em saúde pública
O HRAS é a maior unidade pública do governo do Pará. Com a certificação ONA 1, que atesta a segurança do paciente, a instituição é referência no atendimento à mulher, à criança e à população indígena, tendo promovido mais de um milhão de atendimentos em 2025.
A estrutura conta com pronto-socorro pediátrico, ginecológico e obstétrico 24 horas, centro de terapia renal e 360 leitos distribuídos entre emergência, cirurgia, internação clínica, UTI e Unidades de Cuidados Intermediários (UCIn). Além disso, o HRAS se consolida como uma das principais maternidades do Estado, realizando mais de cinco mil partos anuais.
Texto: Ascom HRAS