Quinta, 29 de Outubro de 2026
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Olívio Pacheco mostra sua pintura no Mercado de Arte Popular

A pintura, para ele, representa, principalmente, momentos de pazA arte pode ser traduzida de várias formas, e uma delas é a pintura. Nesse segmento...

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Por: Notícias Fonte: Prefeitura de Feira de Santana - BA
29/10/2026 às 10h37

A pintura, para ele, representa, principalmente, momentos de pazA arte pode ser traduzida de várias formas, e uma delas é a pintura. Nesse segmento, como em outros, há sempre alguém surgindo e se incorporando. Sucesso é algo que muitas vezes extrapola a razão da qualidade, e para alcançá-lo é difícil prognosticar o caminho. Antônio Olívio Pacheco de Jesus, baiano do Recôncavo, nunca correu atrás da glória. A pintura, para ele, representa, principalmente, momentos de paz.

Ele ainda não é muito conhecido, até mesmo por conta da natureza tranquila e do jeito de ver a arte muito mais pelo lado prazeroso e terapêutico do que como algo que possa se constituir em fonte de renda. Mas, como parte da programação alusiva às comemorações do Dia da Consciência Negra, promovida pela direção do Mercado de Arte Popular (MAP), a convite do presidente da entidade organizadora, Olívio Pacheco expõe, a partir do dia 30 deste mês (sexta-feira), uma expressiva tela, com um metro e vinte (1,20 m), na temática abolicionista. “Eu agradeço muito a Aleucik, nosso amigo Leu, presidente do MAP, pelo convite”, diz o artista, que tem várias outras telas prontas em seu ateliê.

Antônio Olívio Pacheco de Jesus, baiano de Coqueiros do Paraguaçu, traz em si a mansidão das areias do Recôncavo, sombreadas pela brisa dos coqueirais. Menino, esperava o pão de sal chegar com um lápis na mão para lançar seus rabiscos no papel de embrulho de cor parda e grosso, mas era como se fosse uma tela. Dizem que menino sonha demais, e ele não fugia à regra. Seu sonho era desenhar, pintar.

Ainda garotinho, migrou com a família para Salvador. Os estudos estavam em primeiro lugar, mas veio a adolescência e descobriu que havia algo fundamental: o trabalho. Em São Paulo, eram maiores as oportunidades, e o “baiano” encarou sem medo o desafio e as pluralidades de trabalho. No porto de Santos, comandou o setor de embarque e desembarque de frios, como também trabalhou em um frigorífico, ganhando sólido conhecimento no assunto. Doente, foi para Campos do Jordão e, depois da rápida recuperação, trabalhou em uma churrascaria do sogro em Sorocaba e, posteriormente, em São José do Rio Preto.

Em São Paulo, concluiu o curso ginasial iniciado em Salvador e interrompido com a ida para a Terra da Garoa. Retornando a Salvador, iniciou uma nova etapa de trabalho como vendedor de empresas como a Wilson do Brasil e a Bahia Frutas, saindo-se bem graças à experiência e ao bom toque no inglês. Chegou a ter empresas do ramo de frios em Salvador, mas as sociedades não fluíram como esperava. Em agosto de 1985, com o diploma de Direito pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL), passou a dividir o tempo entre as telas e o comércio em uma fábrica de salgados da família. Há oito anos, atendeu ao pedido da filha Taise Bonfim de Jesus, mestra em Biologia, e veio para Feira de Santana, que ele referencia como “uma terra maravilhosa”, da qual afirma não desejar sair.

Morando na casa da filha, ele relata ter o espaço físico ideal e a tranquilidade necessária para empunhar o pincel e fazer o que gosta. No óleo sobre tela, esquece o tempo e produz belas obras pictóricas, especialmente marinhas, também focando o movimento de portos e suas embarcações. O realismo está explícito em sua obra. Confessa que já cogitou o abstracionismo, mas não se interessou.

De bela voz, intérprete de boleros e canções de Nelson Gonçalves, Anísio Silva, Orlando Dias, Altemar Dutra, Agostinho dos Santos e outros românticos, prepara-se para gravar um CD que “será uma lembrança que pretendo deixar para a família e os amigos”. Conclui emocionado: “Graças a Deus, tenho filhas maravilhosas: Luana, Deise, Taise, Leila e Sheilla. Cinco joias que Deus me deu!”.

Por Zadir Marques Porto



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