Geral São Paulo
Inclusão e diversidade: SP lança Cartilha de Boas Práticas para o Turista LGBT+
Além da cartilha, a Setur-SP também apresentou um relatório técnico que mostra o momento do turismo LGBT+ nos municípios paulistas
23/10/2026 10h48
Por: Notícias Fonte: Secom SP

O turismo LGBT+ tem conquistado cada vez mais espaço no setor de viagens. Do total de R$ 8,25 trilhões consumidos pelas famílias brasileiras em 2025, R$ 140,2 bilhões foram destinados a viagens esporádicas de lazer, equivalentes a 1,7% do consumo anual. Entre a população LGBTQIA+, os gastos com esse tipo de viagem alcançaram cerca de R$ 33,4 bilhões, correspondendo a 3,7% de seu consumo total estimado. É o que revela a Pesquisa de Perfil e Comportamento do Consumo e do Turismo da População LGBTQIA+ do Brasil, do IEMI – Inteligência de Mercado.

Diante desse potencial e a fim de promover um turismo cada vez mais inclusivo, plural e acolhedor, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) lançou o Mapeamento do Desenvolvimento do Turismo LGBT+ no Estado de São Paulo e a Cartilha de Boas Práticas para Bem Receber o Turista LGBT+.

As publicações têm como objetivo subsidiar políticas públicas, orientar a qualificação do setor e fortalecer o turismo LGBT+ nos municípios paulistas, promovendo destinos cada vez mais inclusivos, acolhedores e preparados para receber a diversidade.

30 municípios paulistas já têm alguma atividade relacionada ao Turismo LGBT+

O Mapeamento do Desenvolvimento do Turismo LGBT+ no estado de São Paulo trouxe dados relevantes sobre o segmento: dos 72 municípios que participaram do levantamento, 30 municípios (41,7%) já apresentam alguma atividade relacionada ao Turismo LGBT+. Outros 16 municípios (22,2%) ainda não possuem ações efetivamente implantadas, mas informaram que estão em fase de planejamento. Isso significa que, somando esses dois grupos, 46 municípios (63,9% do total pesquisado) já estão envolvidos de alguma forma com o desenvolvimento do segmento LGBT+, seja por meio de ações existentes, seja pela preparação de futuras iniciativas.

Continua após a publicidade

Entre as ações identificadas no mapeamento, estão: Paradas do Orgulho LGBTI+ e eventos de diversidade; semanas e meses da diversidade; apoio institucional do poder público; conselhos e coordenadorias LGBT+; campanhas de sensibilização e enfrentamento à LGBTfobia; capacitação e qualificação; acolhimento e promoção de direitos; atividades culturais; mostras de cinema; rodas de conversa; conferências; articulação com coletivos e sociedade civil; e iniciativas específicas relacionadas ao turismo e ao trade turístico.

Alguns destinos paulistas se destacam, como Santos, que tem o Selo Santos da Diversidade, a Semana Municipal da Diversidade Sexual e atividades do Mês do Orgulho. Além disso, também no litoral, há Praia Grande, com a Semana da Diversidade, apoio à Parada e ações intersetoriais; e São Sebastião apoia o evento Orgulhe-se, além de realizar atividades culturais, formação e conferência municipal.

LEIA TAMBÉM: Temporada de cruzeiros reforça Santos como porta de entrada do turismo e deve movimentar R$ 1,5 bilhão na região

Continua após a publicidade

No interior do estado, Campinas conta com guias temáticos, Mês do Orgulho LGBTI+ e estrutura institucional de políticas para diversidade sexual. Em Araraquara, tem a Parada, o Centro de Referência e Resistência LGBTQIA+ e a Casa de Acolhimento. Também aparecem experiências diretamente relacionadas ao turismo, como capacitação dos profissionais e do mercado de turismo (trade), acolhimento em meios de hospedagem, sensibilização de estabelecimentos e articulação de equipamentos turísticos.

Potencial para desenvolver o segmento em mais destinos

Os dados mostram que 26 municípios entrevistados (36,1%) ainda não apresentam atividade identificada. Porém, dentro desse grupo, 24 dos 26 municípios (92,3%) responderam que possuem interesse em desenvolver o Turismo LGBT+ agora ou futuramente. Apenas dois municípios responderam não ter interesse em desenvolver o segmento.

Considerando todos os 72 municípios pesquisados, 69 municípios (95,8%) manifestaram interesse em participar de futuras capacitações, encontros ou projetos relacionados ao Turismo LGBT+. Portanto, o mapeamento mostra que, embora o desenvolvimento do Turismo LGBT+ ainda esteja em diferentes estágios entre os municípios paulistas, existe uma ampla disposição para avançar no tema.

Continua após a publicidade

“Os resultados indicam que há espaço para criação de políticas públicas estaduais que contribuam com capacitação dos profissionais do turismo, além de promover a sensibilização sobre acolhimento e diversidade e prestar apoio técnico aos municípios. Também pensamos no mapeamento e estruturação de produtos e roteiros turísticos para comercialização, além do fortalecimento da cooperação entre Estado, municípios, iniciativa privada e sociedade civil”, afirma Ana Biselli, secretária estadual de Turismo e Viagens de São Paulo.

Em cada 10 municípios pesquisados, aproximadamente 6 já realizam alguma atividade ou estão planejando fazer, e, entre aqueles que ainda não desenvolvem ações, 9 em cada 10 demonstram interesse em começar. Esse é um dos principais resultados positivos revelados pelo mapeamento.

Cartilha para orientar o setor

A segunda publicação dedicada ao segmento LGBT+ foi lançada pela Setur-SP durante a 10ª Conferência Internacional da Diversidade, em setembro, na capital paulista. A Cartilha de Boas Práticas para Bem Receber o Turista LGBT+ contém dicas e orientações importantes para que destinos e empreendimentos turísticos paulistas recebam bem viajantes LGBT+, com acolhimento e respeito.

A cartilha explica desde o significado de cada letra da sigla LGBTQIA+, passando por sugestões de ações que os municípios podem implementar, como envolver Conselhos Municipais de Turismo – COMTURs. Além disso, os municípios podem estabelecer diálogo com a população LGBTI+ local e integrar turismo, direitos humanos, cultura, segurança, desenvolvimento econômico e demais áreas relacionadas, entre outras ações. A publicação ainda traz dicas de atendimento, como tratar todos da mesma maneira, respeitar o nome social, os pronomes e evitar olhares ou comentários desnecessários e constrangedores.

No caso dos meios de hospedagem, o material traz exemplos práticos para que atendam e recebam cada vez melhor os viajantes. Por exemplo: se um casal do mesmo sexo reservar um quarto de hotel com uma cama de casal, o(a) atendente não deve questioná-los sobre a acomodação ou oferecer mais uma cama, mas tratá-los com cordialidade e confirmar a reserva.

Além disso, há orientações para bares, restaurantes e atrativos turísticos, além de explicar sobre os eventos LGBTI+, que não se resumem somente às paradas e vida noturna. Outro ponto de destaque é a importância de capacitar os profissionais do setor turístico, manter uma comunicação inclusiva, e a importância da segurança e do acolhimento aos viajantes LGBT+. Ao final, a cartilha traz um checklist para que gestores públicos verifiquem como estão as políticas de diversidade no seu município e como otimizá-las, além dos dez compromissos de um destino acolhedor. Por fim, atrativos como o Museu da Diversidade Sexual do Estado de São Paulo (MDS) e informações sobre o Conselho Estadual LGBT+ e dos Conselhos Municipais LGBT+ também compõem a cartilha.

“É importante lembrar sempre que o turismo é uma atividade para todos. É um direito do cidadão, além de ser uma atividade que deve ser benéfica, acolhedora, respeitosa e agradável para os viajantes e para os profissionais do setor. Por isso, o mapeamento e a cartilha são materiais que vão nos ajudar a desenvolver, em conjunto com os municípios e os empreendimentos, políticas públicas ainda mais eficazes e um atendimento ainda mais humano e acolhedor para receber os turistas LGBT+. O turismo é plural e São Paulo é para todos”, disse Ana Biselli. A cartilha pode ser baixada no link .

R$ 911 bilhões

Conforme dados da Pesquisa de Perfil e Comportamento do Consumo e do Turismo da População LGBTQIA+ do Brasil, do IEMI – Inteligência de Mercado, em 2025, as famílias brasileiras destinaram R$ 8,25 trilhões ao consumo de bens e serviços ao longo do ano. A estimativa do IEMI aponta que a comunidade LGBTQIA+ respondeu por cerca de 11% desse montante, movimentando aproximadamente R$ 911 bilhões. O número dimensiona a relevância desse público para diferentes segmentos da economia