
As relações de trabalho no campo, as desigualdades raciais e os desafios para a garantia dos direitos humanos estão no centro das discussões do Seminário Internacional Trabalho e Mundo Rural, aberto na quarta-feira (21), no Memorial Esperança Garcia, em Teresina. O encontro reúne pesquisadores, estudantes e representantes de movimentos sociais para refletir sobre questões históricas que permanecem presentes na sociedade brasileira, especialmente nas realidades do Piauí, do Meio-Norte e da Amazônia.
As atividades seguem até esta sexta-feira (23), no Campus Poeta Torquato Neto da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), com mesas-redondas, conferências, lançamentos de livros e apresentações de trabalhos. Entre os temas previstos estão a escravidão e os mundos do trabalho, as formas contemporâneas de trabalho forçado, as relações entre raça e nação, os conflitos territoriais e as transformações ambientais no mundo rural latino-americano. A programação conta com pesquisadores de instituições brasileiras, da Itália e da Argentina.

A programação ocorre de forma integrada ao Seminário Nacional Solimar Oliveira Lima: Desigualdades Raciais, Violência de Gênero e Direitos Humanos, que homenageia a trajetória acadêmica e social do professor aposentado da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e colaborador do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Sociedade e Cultura da Uespi. A proposta é aproximar debates sobre trabalho escravizado, conflitos agrários, relações raciais e resistência social, relacionando experiências históricas aos desafios contemporâneos.

A professora Cristiana Costa da Rocha, coordenadora do programa de mestrado em Sociedade e Cultura da Uespi e uma das organizadoras do encontro, explicou que a integração dos seminários permite ampliar o alcance das discussões. “Temos objetivos diferentes, mas que também se conectam, porque temos interesses em comum em relação a temas relacionados ao trabalho e à discussão racial, que são debates transversais aos dois eventos”, destacou.

A abertura contou com uma mesa dedicada às trajetórias de escrita, políticas públicas e ativismo social, além da conferência “Brasil: do trabalho escravizado, ontem, à escravidão assalariada, hoje”, conduzida pelo professor Mario Maestri, da Universidade de Passo Fundo. A discussão sobre as transformações nas relações de trabalho permite refletir sobre a permanência de desigualdades e formas de exploração, mesmo diante das mudanças sociais e econômicas ocorridas ao longo da história.
Um dos organizadores, Mairton Celestino, ressaltou que a proposta também é aproximar a produção acadêmica das experiências e demandas da sociedade. “É um evento de proporções internacionais, com diálogos bastante interessantes, que não envolvem apenas a comunidade acadêmica, mas também os movimentos sociais e pessoas interessadas no tema”, afirmou.

Homenageado nesta edição, o professor Solimar Oliveira Lima destacou a importância de espaços acadêmicos dedicados à reflexão sobre as relações sociais e o mundo do trabalho. “É o momento de fortalecer o pensamento crítico das universidades, é o momento de fortalecer as nossas leituras e as nossas interpretações da realidade social no Brasil”, afirmou. Para ele, iniciativas dessa natureza também contribuem para a formação de novos profissionais e para o fortalecimento do conhecimento sobre a realidade brasileira.

A realização conjunta dos seminários envolve o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Sociedade e Cultura (PPGSC/Uespi), o Núcleo de Pesquisa e Documentação em História (Nupedoch), o Núcleo de Estudos e Documentação em História, Sociedade e Trabalho (NEHST) e a Rede de Estudos Rurais Amazônicos (Ruramazon), com a participação de pesquisadores e representantes da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e do Instituto Federal do Piauí (IFPI).
