
Um dia após o encontro do empresário Mauro Mendes (PSB) com o governador Blairo Maggi (PR) e o vice Silval Barbosa (PMDB) no apartamento do republicano, uma nova rodada de negociações ocorreu na casa do socialista. Desta vez, com a presença de lideranças partidárias do movimento Mato Grosso Mais, como o presidente do PPS, deputados Percival Muniz, e o secretário-geral e tesoureiro do PDT, Rodrigo Rodrigues. Curiosamente o empreiteiro Mauro Carvalho, da Lotufo Engenharia e da distribuidora Colorado, compareceu nas duas reuniões, enquanto o presidente do PSB, deputado federal Valtenir Pereira, sequer foi convidado.
Percival admitiu ao RDNews que Mendes relatou ter sido convidado pelo grupo de Maggi a disputar o cargo de vice na chapa encabeçada por Silval ou, até mesmo, a senatória, tendo na vaga de suplente o gestor republicano. “Propuseram a disputa a vice, a senatória ou mesmo a suplência de Maggi”, informou. Conforme Percival, os partidos defensores da candidatura própria de Mendes, pela chamada terceira via, PDT, PPS, PSB, PV, PRTB e PMN, foram informados do assédio da turma da botina e ficaram de analisar a proposta. “Acredito que faremos uma reunião ampliada nesta semana para ouvirmos a resposta das lideranças aliadas”.
Os cargos ofertados, porém, não teriam atraído Mendes. “Ele não se encantou, pois tem o perfil de Executivo e não de legislador”, pondera Percival. Embora defenda a solidez do movimento em torno da candidatura própria, o deputado reconhece que as lideranças do PDT e do PPS “fechariam” com Maggi, caso Mendes recue da intenção de encabeçar o projeto. “O PDT e PPS continuariam com ele”, garante Percival, mesmo ponderando não acreditar no esfacelamento do grupo da terceira via. “Pelo que tenho conversado, vamos continuar ao lado dos nossos aliados. Em contrapartida, PMDB, PR e PT com os deles. Continuaremos resistindo ao assédio até a data da convenção e não acredito em racha”.
Ao contrário da disputa à reeleição, como era cogitado, Percival trabalha para lançar a candidatura ao Senado. Ele descarta a possibilidade de concorrer à Prefeitura de Rondonópolis em 2012, município que já administrou por dois mandatos. “Já dei minha cota. Agora só quero disputar o governo ou o Senado”. Em relação a Pivetta, que também chegou a demonstrar interesse pela senatória, Percival disse que o pedetista não deve disputar cargo eletivo neste ano. “Ele só quer ajudar”.
A intervenção do diretório nacional do PPS no Estado, visando o apoio à pré-candidatura do tucano Wilson Santos, já está descartada pelo deputado. “Membros do partido (secretário de Bem-Estar Social, Elismar Bezerra) pegaram uns `carguinhos`com a deliberação do diretório de Cuiabá, mas isso só serve para repercutir na mídia e não acredito na possibilidade de racha no movimento Mato Grosso Mais”. Percival garante os correligionários vão deliberar, por unanimidade, pelo apoio a Mendes.
Lotufo
A presença do empreiteiro Mauro Carvalho nos dois encontros entre o partidários de Mendes e de Silval soa, no mínimo, estranha. Curiosamente a Lotufo Engenharia integra o consórcio Pantanal, junto com a construtora Sanches Tripoloni, que disputa o processo licitatório para a demolição do estádio Governador José Fragelli, o Verdão, e as obras da nova arena multiuso. Procurado pelo RDNews, Carvalho evitou falar sobre o assunto. “Tenho uma relação de amizade com Mauro Mendes desde 1982, quando ele cursava Engenharia Elétrica e era presidente do DCE da UFMT. O certame vai acontecer independente disto”, desconversou.
Indagado sobre a possibilidade de “barganha” econômica pelo grupo de Maggi para cooptar Mendes e entregar a obra a Carvalho, o deputado Percival Muniz disse que o processo licitatório é transparente e descartou a hipótese do empreiteiro intermediar as negociações partidárias para ficar com a obra. “Eles são muito amigos. O carvalho é praticamente o braço direito do Mendes. Se eu tivesse amigo empreiteiro também levaria na reunião, assim como fui acompanhado do Antonio Carlos Maximo, militante histórico do PPS, e pelo suplente de deputado federal Eduardo Moura”.
Rasteira
Ao final do encontro, as lideranças presentes teriam discutido a suposta traição de Mendes a Valtenir. O deputado federal deixou de ser convidado para as discussões e ficará com a candidatura à reeleição comprometida caso o empresário “feche” com o grupo de Maggi. O governador já declarou ser favorável à formação de um “chapão”, pelo qual concorreriam à reeleição Wellington Fagundes, Homero Pereira, ambos do PR, Carlos Abicalil ou Serys Marly, pelo PT, Carlos Bezerra (PMDB), Eliene Lima e Pedro Henry pelo PP. Com densidade eleitoral elevada, eles dificultariam o retorno de Valtenir ao Congresso na eleição de outubro deste ano.
Neste instante, Valtenir e Mendes estão reunidos na sede da Fiemt para analisar os desdobramentos no cenário eleitoral dos últimos dias. O deputado deve cobrar explicações do empresáro.